domingo, 28 de febrero de 2016

Amor de tarde clara




Amor de tarde clara
sob a fronde no estio.
Sandálias nos teus pés
e o canal que foge para o lago.

Um cano que aflora,
a água que nasce duma boca de bronze,
a sede que se apaga.

As ondas dos teus cabelos
que caem como a noite sobre o teu seio,
do mesmo jeito que as lágrimas de saudade
sulcam o rosto: inesperadamente.

A sede dos meus olhos
encontra os teus olhos.
A sede das minhas mãos
enlaça as tuas mãos.
A sede dos meus lábios
teus lábios procura.

E a água da fonte
vai beijando teus pés
enquanto foge para o lago.

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