domingo, 14 de febrero de 2016

Namorado fantasma




Houve noutro tempo um moço
Que muito se apaixonara
duma jovem muito bela
que neste mundo ele amara.

E pensando sempre nela,
namorado, nem dormia,
pelo que moço, coitado,
grande insônia padecia.

De tanto cuidar de ela
andava sem ter dormido
e sem rumo pela rua
ia sempre distraído.

Era assim que o namorado
ia sem saber por onde;
foi por isso atropelado
em São Paulo por um bonde.

Como o coitado era crente
ao Céu rápido chegou,
e entre ajinhos sem sexo
por um tempo lá morou.

Mas seu amor foi tão grande
que a imagem da sua amada,
mesmo no Reino Celeste,
muito a ele o torturava.

Não duvidou nem um pouco,
ele a ninguém consultou,
pois de tão enamorado
foi que do Céu escapou.

Em fantasma convertido
pelo seu bairro ela vaga,
soluçando seus tormentos,
sua fortuna tão aziaga.

Quem causou os seus males
nunca pôde imaginar
que o lamento lá da rua
dum fantasma era o penar.

Aliás, como ela é viva,
é um ente terreal,
procurou um namorado
pra fazer o amor carnal.

E o nosso triste fantasma
do sofrer virou réu;
ficou muito arrependido
de ter fugido do Céu.

Tão funesto e torturado
seu gemer incomodava,
que não deixava dormir
o povo que lá morava.

Mas quem ama sempre vence,
e uma noite num portão
encontrou uma alma penada
e juntinhos sempre estão!!

Juan Martín (14-2-2016)


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