martes, 16 de mayo de 2017

Romance dos grilos enamorados














I

Debaixo dum choupo,
por entre as violetas,
cantam as cigarras,
voam borboletas.

Lindo roseiral
perto se encontrava,
onde tão feliz
as vespa libava.

Também mora lá
um grilinho lindo,
ao que todos chamam
Grilo Gumersindo.

Este bom grilinho
tem um grande amor,
que ele mantém vivo
com zelo e fervor.

Apenas a noite
pousa na floresta,
os grilos convocam
sua mágica orquestra.

Mas nosso grilinho
não quer mais tocar
porque à sua querida
não pode encontrar.

E assim toda a noite
E assim todo o dia,
muito a procurava,
nunca aparecia.

Um dia Gumersindo
foi lá para o Céu,
Porque sem a amada
de pena morreu.

II

Quando um grilo quer assim,
desse jeito, desse modo,
perder o ser mais querido
é perder o mundo todo.

O destino da grilinha
afinal é revelado,
foi um menino ruim
quem a tinha capturado.

Então ela ficou presa,
numa latinha, encerrada;
por causa de tal tormento
muito sofreu, a coitada.

Até que passado um ano
os papais puderam ver
o mal que o filho causara
com o seu mau proceder.

Quando afinal fica livre
procura ao seu grande amor,
mas sabendo da sua sorte,
morre transida de dor.

Este drama, esta tragédia,
poderia ter-se evitado,
se nenhum bichinho fosse
prendido nem maltratado.

Quem sendo menino goza
com ato tão desumano,
pode acabar finalmente
convertido num tirano.

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